O dinheiro ou a vida.
Assim mesmo. De arma apontada e olhos nervosos
De um lado para o outro De um lado para o outro
Num beco com ruas dos lados. O céu numa linha lá em cima.
De um lado para o outro De um lado para o outro.
E o velho.
Com tão pouco tempo para pensar.
Assim mesmo.
A bexiga apertada O coração a mil E as pernas bambas
Respondeu-lhe como se lhe cuspisse na cara.
A vida.
Assim mesmo.
E o outro De um lado para
O QUÊ?
Isso mesmo
(Assim mesmo
O velho de mãos atrás nas costas)
Dá-me o dinheiro Não me ouviste Não estou para brincadeiras
E o cano enfiado na penca do velho.
Não.
O senhor deu-me duas hipóteses.
Está escolhido Que não sou homem de voltar atrás nas decisões.
Agora faça a sua parte e largue-me da mão Que não são dias para se estar parado.
O velho está maluco Mas vais-te tramar
Deves pensar que estás a falar com um qualquer que arranjou isto ontem
(A arma nas fuças do velho a saliva a escapar-se-lhe da boca Os olhos carregados de vermelho a saltarem e a fugirem prédio acima agarrados aos tijolos).
Caro senhor
Eu sei que não está para brincadeiras E eu também não.
Quer que me deite?
Prefere que me encontrem ali debaixo das pedras?
Posso virar as costas
Agora despache-se Peço-lhe.
(O sem perceber a esquivar-se da dúvida)
Não te rias da minha cara
(um pontapé cobarde nas pernas e o velho lá abaixo)
Se escolheste e está escolhido Então aqui vai O braço esticado (e um estalido).
Espere.
Susto
O que é agora?
Por favor, não te esqueças de mim.
O QUÊ?
Isso mesmo.
P-
Porquê?
Por nada.
Nunca o tinha dito.


Lindo.
26 de Janeiro de 2010 15:28
epah quase que eu tava la também!
1 de Fevereiro de 2010 15:36
Muito bom.
29 de Março de 2010 00:06
Obrigado amigos.
Abraços.
29 de Março de 2010 18:02
Agora pergunto eu..., utilizando as tuas palavras...
"Porque é que deixaste de escrever?"
Tá na hora de recomeçar... vamos lá...
Mummy
16 de Agosto de 2010 11:49